Percorrendo a zona da Baixa de Lisboa , dando asas à imaginação elaboramos um pequeno registo da morfologia e da versatilidade dos espaços que nos rodeiam e das possíveis letras que neles estão implícitas.
Os locais que nos são tão próximos passam-nos ao mesmo tempo ao lado, é preciso observar o meio que nos envolve com um olhar diferente, uma outra perspectiva. Com um olhar de quem observa e não apenas de quem vê.
Os locais que nos são tão próximos passam-nos ao mesmo tempo ao lado, é preciso observar o meio que nos envolve com um olhar diferente, uma outra perspectiva. Com um olhar de quem observa e não apenas de quem vê.
Lisboa
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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